quarta-feira, 25 de abril de 2012

Diversão animada ou violenta?

Violência em desenhos infantis: fator de preocupação para os pais.
 
Ben 10, Dragon Ball Z, Naruto, Pokémon, Power Rangers. A geração que hoje tem seus vinte e poucos anos conhece alguns muito bem – outros nomes são novidades, e eles só ficam sabendo através de irmãos ou primos mais novos. O que também é tratado como novidade – apesar de nem ser tão recente assim – é a influência que programas de televisão (até mesmo desenhos animados) podem exercer no comportamento de crianças.
Fátima Bilotta, pedagoga, afirma que um desenho violento pode fazer a criança brigar com os irmãos ou amigos. “Isso não acontece porque ela quer, mas sim para reproduzir uma maneira de agir que aprendeu na televisão”, analisa. 
Round 1: os pais
Ivana Gavassi é mãe de Mateus, de oito anos, e não permite que o filho assista a determinados tipos de programas. “Uma criança não tem noção de que aquilo é apenas um desenho, e acaba levando a agressividade para a vida real”, justifica. Ela ainda conta que sempre proibiu o filho de assistir desenhos, já que, em uma das vezes que o menino teve acesso a esses programas, apresentou agressividade, mudando o jeito de brincar. “Ele queria bater, brincar de guerra, com espadas – assusta perceber como um simples desenho pode afetar nossos filhos”, conta. 

Já João Vitor, seis anos, tem acesso irrestrito aos desenhos da TV. A mãe, Graziela Di Madeu, fala que não exerce muito controle. “Ele só assiste os programas que passam de manhã, que são mais tranqüilos”. Para ela, o que preocupa são os filmes. “Não acredito que desenhos animados influenciam muito – me preocupo mais com filmes ou seriados. Se ele assiste Rebelde, por exemplo, fica respondão, agressivo”, afirma a mãe. 
Round 2: as crianças
É raro, mas pode acontecer de a própria criança se dar conta de que aqueles programas não são indicados. Kalel Menezes tem 16 anos e, há tempos, parou de assistir desenhos considerados violentos. “Eu percebia que queria ‘copiar’ o que os personagens faziam e isso não era saudável”, relembra. 

“Por necessidade dos pais – que trabalham fora –, a criança fica com uma empregada e acaba vendo desenhos que não são recomendados”, afirma Fátima. E como fazer para que os filhos não sejam expostos a essa programação inadequada? “Delimitando regras de horário”, responde a pedagoga. Segundo ela, os pais devem explicar os porquês de não assistir e propor outros programas ou até outras atividades em troca – oferecer brinquedos educativos, incentivar a leitura e até mesmo organizar uma tabelinha com os horários que as crianças podem ver televisão. 
 Top 5 dos desenhos violentos - de acordo com as mães
• Cavaleiros do Zodíaco
• Dragon Ball
• Pokemón
• Ben 10
• Naruto
 


O juiz
Elizabete Plantes é psico-pedagoga e tem uma posição bem definida sobre os desenhos. “A grande maioria apresenta traços de violência, e podemos dizer que isso é prejudicial sim”, afirma. Para ela, até mesmo desenhos como Tom & Jerry e Pica-pau podem incitar a violência. “Eles apresentam o comportamento violento disfarçados por bichinhos bonitinhos”, analisa. Segundo Elizabete, esses programas podem ser prejudiciais e, portanto, deve haver um trabalho da parte dos pais para que a criança não se torne violenta.
A psico-pedagoga explica: “Existem desenhos que incitam a luta apenas pela briga em si. Esses devem ser proibidos, pelo menos até a criança ter maturidade suficiente para entender aquilo como errado”. Por outro lado, desenhos mais ‘leves’, como o próprio Pica-pau, podem auxiliar no desenvolvimento da criança – desde que trabalhados adequadamente. “O aprendizado da defesa é importante para a criança”, diz Fátima Bilotta. Elizabete não discorda, mas ressalta a importância dos pais nesse processo. “O pai e a mãe devem sentar e assistir os desenhos com a criança, observar se há alguma mudança brusca de comportamento, e nunca fazer da televisão uma babá portátil”, resume. 

Reportagem Lilian Wiczneski


Vamos ler agora um depoimento de uma mãe sobre a influência do Ben 10 sobre seu filho
 
Meu filho sempre preferiu ouvir uma história a jogar bola, brincar de carrinhos a subir em árvores, vídeo game a... qualquer outra coisa.
Mesmo pequenino, já era mais intectual do que as outras crianças. A primeira professora logo comentou que a fala dele era muito boa, inclusive o português sempre corrreto. Era concentrado nas brincadeiras, inteligente mesmo.

Até que esses dias voltamos ao tal médico Waldorf. E sempre há uma coisa nova a aprender. Logo ele também percebeu a característica, nem precisou de muito. Meu filho começou a contar de-ta-lha-da-men-te os poderes de um tal alienígena do Ben 10.

E então o médico fez uma cara assim, digamos, diferente, quando disse que meu filho era bastante intelectual. Meu marido abriu um sorrisinho de orgulho.
Eu, sabia que um médico Waldorf não devia ter gostado nada de ouvir coisas do Ben 10, um desenho violento e desaconselhável para qualquer idade, principalmente para uma criança de apenas 3 anos (mesmo sendo na semana de completaria 4).

Então eu perguntei: isso é bom ou ruim?
- É ruim, claro.
(tipo, oi??)

Ele explicou que nesta idade, criança tem que brincar, correr, subir em árvore. Que era por isso que ele não estava comendo direito, porque não gastava energia, que a tv alimenta também. E de repente, era tudo tão óbvio, senti aquela culpa enorme.

É natural que toda mãe tenha alguma culpa, sempre. Mas a gente vai aprendendo a lidar com ela, e ao invés de culpa vamos transformando em aprendizado. Eu vou me perdoando para não carregar o peso de tudo, afinal, criar uma criança sem escola, em um apartamento, numa cidade que não tenho família e pouquíssimos amigos, no frio, tendo que trabalhar, cuidar da casa, cozinhar e tudo mais que somos nós mulheres? Mesmo me dedicando, não é nada fácil. Mas sempre (ou quase sempre) há tempo para reverter. Nesse caso, estou muito confiante que é possível.

Foi muito bom ouvir isso, porque o "relacionamento" com o Ben 10 já era preocupante para mim há algum tempo. Já estava uma coisa meio viciada, doentio. Só sabia falar nisso. Vivia num mundo paralelo, vivia a "realidade" da tv, enxergava com os olhos dela, então eu já sabia que o caminho não estava nada bom.

Pedia o brinquedo do Ben 10, o ovo de Páscoa do Ben 10, e queria ir ao supermercado toda hora só para olhar os brinquedos do Ben 10. Eu que não sou de ferro, quase sempre comprava para vê-lo todo feliz. E a coleção só crescia.

Ele acordava e já ligava o Cartoon, assistia o desenho em inglês sem entender nada! (acho que no fundo, esse ponto eu gostava).Tomei a atitude.

Voltei da consulta e não liguei mais a TV. Nem uma vezinha, só pra ver como ia ser. E já faz 3 dias! E o mais surpreendente: ele não pediu. Simplesmente não fez a menor diferença, mesmo sendo algo que já estava incorporado na rotina.

Eu achava que iria ser "o" sofrimento, e foi o contrário. Ele ficou mais calmo, ouve mais música, faz menos birra, incrível. E aí, o que eu achava que era 90% responsabilidade minha (os outros 10% era meu filho que gostava mesmo da tv) se transformou em 100%. "Filho, tô ocupada, liga aí a tv". A coisa estava tão avançada que quando eu ia pro computador ele já sabia que podia pedir o Ipad.

Não sei, a gente acha que a tv substitui a gente. Quanta ingenuidade. Estamos todos mais felizes, com certeza o dia-a-dia dele tem mais qualidade.
O segundo passo é parar de incentivar essa palhaçada dessas armadilhas comerciais (sim, publicitários também são gente e caem nas mesmas armadilhas que todo mundo), deixar a culpa pra lá e ser feliz! Ah, e ouvir mais a minha mãe, que seeeeempre me falou que a tv (mal utilizada) é atraso de vida. 

Texto retirado do blog CdeSimples 

E você, acha que os desenhos animados são violentos e oferecem este tipo de contribuição antissociais?

Um comentário:

  1. Muito bom o post! Mais do que procurar um consenso, é válido para alertar os pais a respeito da vida do filho, prestar um pouco mais de atenção ao que eles assistem, jogam, etc... e as influências destes para a vida. Parabéns!

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